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segunda-feira, 17 de março de 2008

Igreja de Jesus

De sua viagem à Rússia trouxe a sensação de nunca ter visto um povo tão sedento de Deus. Da China, a convicção de que Deus se manifesta onde sua presença é desejada. Ali o evangelho foi proibido, os missionários foram expulsos, e os chineses puderam contar somente com o Espírito Santo. Quando as portas voltaram a se abrir, ficou evidente que o Espírito saiu-se muito bem sem a ajuda do ocidente.
Yancey me aguça a curiosidade sobre os caminhos de Deus na terra. Como é que os cristãos do primeiro século se viravam para ler os textos inspirados quando o cânon ainda nem se estabelecera? Como é que os cristãos da Idade Média se encontraram com Jesus, numa época em que quase ninguém sabia ler? Como?
Um amigo me disse que “a igreja de Cristo está sempre bem, pois é ele que cuida dela”. É, faz todo sentido. Precisamos redescobrir a inventividade de Deus.
Marson Guedes falando sobre “Descobrindo Deus nos lugares mais inesperados” de Philip Yancey na revista Seu Mundo (ano I, núm. 04)

terça-feira, 11 de março de 2008

O SERVO-REI

Você pode rejeitar a Cristo porque ele manteve o seu livre-arbítrio realmente livre. O escritor Philip Yancey adapta uma parábola do filósofo cristão Soren Kierkegaard que nos ajuda a compreender de que maneira Deus tenta nos salvar ao mesmo tempo que respeita nossa liberdade. É uma parábola de um rei que ama uma moça humilde:

Não havia rei como ele. Todos os estadistas tremiam diante de seu poder. Ninguém ousava pronunciar uma palavra contra ele, pois este rei possuía a força para esmagar todos os oponentes. E, ainda assim, esse poderoso rei derreteu-se de amores por uma moça humilde. Como podia declarar seu amor por ela? Por ironia, sua própria realeza deixava-o de mãos amarradas. Caso a trouxesse ao palácio, lhe coroasse a cabeça com jóias e lhe vestisse o corpo com vestes reais, certamente ela não resistiria - ninguém ousava resistir-lhe. Mas ela o amaria? É claro que diria que o amava, mas amá-lo-ia de verdade? Ou iria viver com ele temerosa, secretamente se lastimando pela vida que havia deixado para trás? Seria feliz ao seu lado? Como ele poderia saber? Caso fosse na carruagem real até a cabana dela na floresta, com uma escolta armada balançando imponentes estandartes, isso também a atordoaria. Ele não desejava uma súdita servil. Desejava uma amante, uma igual. Desejava que ela esquecesse que ele era rei e ela uma moça humilde e que deixasse que o amor partilhado vencesse o abismo existente entre eles. "Pois é somente no amor que o desigual pode ser feito igual", concluiu Kierkegaard.

Esse é exatamente o mesmo problema que Deus enfrenta em sua busca por você e eu: se ele se impuser sobre nós com seu poder, não seremos livres para amá-lo (amor e poder freqüentemente possuem relações opostas). Ainda que mantenhamos nossa liberdade, podemos não amá-lo, mas simplesmente amar aquilo que ele nos dá. O que Deus pode fazer? Veja o que o rei fez:


O rei, convencido de que não poderia fazer a moça melhorar sua condição social sem reprimir sua liberdade, decidiu rebaixar-se. Vestiu-se de pedinte e aproximou-se da cabana incógnito, com uma capa surrada, frouxa, esvoaçando ao seu redor. Não era um mero disfarce, mas uma nova identidade que assumiu. Renunciou ao trono para ganhar a mão dela.

Não tenho fé suficiente para ser ateu de Norman L. Geisler e Frank Turek, citação de Decepcionado com Deus. São Paulo: Mundo Cristão, 2004, 11 ed.,p.103-4


"Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens." Fp 2:5-8


Assumir a forma de um servo humano era a única maneira de ele nos oferecer salvação sem negar nossa capacidade de aceitá-la.